O prefeito de Curitiba Beto Richa (PSDB) exonerou na manhã desta quarta-feira (24) três funcionários
de cargo comissionado e determinou a perda de função gratificada de outros dois servidores de carreira da administração
municipal, todos ex-candidatos a vereador pelo PRTB e que aparecem em um vídeo recebendo dinheiro não declarado
à Justiça Eleitoral, em um comitê que apoiava a campanha de reeleição de Richa.
Foram exonerados Luiz Carlos Déa, que era assessor técnico da secretaria municipal do esporte e lazer; Luiz
Carlos Pinto, ex-gestor público da secretaria do governo municipal; e Gilmar Luiz Fernandes, que era chefe de equipe
de apoio técnico do gabinete do prefeito. Já os concursados que perderam função gratificada foram
Cristiane Fonseca Ribeiro e Nelson Bientinez Filho.
Na última quinta-feira (18), Manassés de Oliveira, Raul
D’Araújo Santos e Alexandre Gardolinski haviam sido demitidos pelo prefeito Beto Richa. As demissões ocorreram
no mesmo dia em que a reportagem da Gazeta do Povo entrou em contato com a prefeitura para comentar o vídeo em que
23 ex-candidatos do PRTB recebiam pagamentos no Comitê Lealdade.
Em uma entrevista coletiva concedida na segunda-feira (22), Fernando Ghignone, diretor de transportes da Urbanização
de Curitiba S.A. (Urbs), e Ivan Bonilha, procurador-geral do município, disseram que após as primeiras exonerações,
não haveria mais demissões na prefeitura. A assessoria de imprensa da administração municipal
informou nesta quarta-feira que a informação não era oficial, uma vez que, embora concedida por funcionários
da prefeitura, a coletiva foi organizada pela coordenação de campanha da candidatura de Beto Richa, da qual
Ghignone e Bonilha faziam parte.
Escândalo
Na eleição de 2008, o PRTB estava coligado com o PTB do então candidato Fábio Camargo –
o que impediria o apoio da legenda ao tucano. Dissidentes do partido, porém, desistiram de continuar na disputa para
trabalhar pela reeleição do prefeito, enquanto outros continuaram na disputa e fizeram campanha para Fábio
Camargo. Como revelou reportagem da Gazeta do Povo, pelo menos 23 dos candidatos desistentes aparecem em um vídeo recebendo
dinheiro das mãos de Alexandre Gardolinski, coordenador do comitê pró-Beto, formado por dissidentes do
PRTB. Cada um recebeu R$ 1.600, pagos em duas parcelas de R$ 800.
Dissidentes ouvidos pela Gazeta do Povo negaram que o dinheiro pagaria a desistência da candidatura. Afirmaram que
os recursos serviriam apenas para pagar despesas de campanha, pois eles trabalhariam pela reeleição de Richa.
O pagamento, segundo o próprio Gardolinski, não foi declarado à Justiça Eleitoral, o que pode
caracterizar caixa 2. Outros ex-candidatos a vereador pelo PRTB, que não desistiram da disputa, dizem que houve oferta
de cargos na administração pública como pagamento por uma possível desistência da candidatura.
Assessores negam caixa 2
Fernando Ghignone, que foi o coordenador do comitê financeiro da campanha de 2008, e Ivan Bonilha, que foi o coordenador
jurídico, deram uma entrevista coletiva, na tarde de segunda-feira (22), para explicar as imagens. A explicação
dada aos jornalistas foi a de que não houve irregularidades na campanha e que o vídeo se tratou de uma armação
política.
Ghignone confirmou que repassou algum dinheiro para o Comitê Lealdade, como forma de reembolso de combustível
e outros gastos. Ghignone, no entanto, não soube dizer quanto dinheiro foi repassado nem como isso foi feito. Frisou,
no entanto que o comitê era independente. “Nós tivemos dezenas de comitês de apoios, que foram estimulados
sim pela coordenação central da campanha, especialmente reembolso de gasolina e pequenas despesas”, afirmou
Ghignone.
Embora independente, a casa ocupada pelo grupo durante o período eleitoral do ano passado estava alugada em nome
do PSDB. No recibo eleitoral referente ao contrato de aluguel, ao qual a Gazeta do Povo teve acesso, Richa aparece como o
responsável pela locação do imóvel. Na prestação de contas do prefeito, consta que
o aluguel do imóvel custou R$ 1,5 mil.
FONTE: Gazeta do Povo Online (Célio Yano)